terça-feira, 21 de agosto de 2012

Coação eleitoral de Puccinelli - Eleição 2012

 

Reportagem compartilhada do www.midiamax.com.br
 
Pio Redondo
A Democracia plena, com “D” maiúsculo, e livre direito de voto, conquistada depois de anos seguidos de luta contra a ditadura miliar, parece não ter chegado, plenamente, ao Mato Grosso do Sul. Ao menos é o que se vê em vídeo remetido, anonimamente, para o Midiamax, e gravado no último dia 10 de agosto na sede do PMDB de Campo Grande. Na ocasião, o governador André Puccinelli comandou reunião com servidores públicos estaduais da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas) para discutir a campanha de Giroto à prefeitura. No vídeo é possível ver, em bom som, o governador chamando funcionários de alto escalão a partir de uma lista onde constavam o nome e sua intenção de voto e de propaganda política. O auditório do PMDB, na Avenida Mato Grosso, estava lotado. Não era para menos, como disse logo no início do vídeo uma servidora assustada com a possibilidade de a amiga perder o cargo: - Já te chamou e você ficou com falta!” - Fiquei nada...tô aqui” - Diz que ia ser exonerado quem não veio” Funcionários exonerados poderiam ser aqueles de cargo de confiança (nomeados) que não viessem à reunião com o governador para definir a composição da “dobradinha” de Giroto e cm os vereadores aprovados por Puccinelli. A Constituição e a Lei Eleitoral dizem que é crime obrigar o servidor com ou sem cargo de confiança a votar no candidato escolhido por governador, porque o fato configura “abuso de poder econômico.” Na gravação a que Midiamax teve acesso é possível notar, com clareza, que várias vezes o governador mudou o voto dos servidores. Também houve orientações sobre a forma de fazer propaganda, e uma servidora chega até a dar satisfação pessoal sobre isso. Puccinelli leu o nome do servidor a partir da lista pré-elaborada, fato que indica que o esquema já estava se desenrolando. E se são cargos mais altos, é possível considerar uma suposta pressão sobre subalternos. Na reunião, Puccinelli chamava os servidores nominalmente e conferia seus votos: Puccinelli - Graziela da Silva Tenório? Servidora - Giroto e Otávio Trad. Puccinelli - Você era Edil, agora mudou para Otávio Trad Funcionário comenta - “Vixe, que lei dura...” (todos riem da “linha dura”) Na próxima chamada, a funcionária se mostra visivelmente constrangida, e dá satisfação ao governador: Puccinelli - Cássila Andreá Alves Servidora - Giroto e Pastora Marta Puccinelli - “Fala pra pastora Marta que ela colocou Giroto microscópico...eu tenho que comprar uma luneta pra enxergar . Servidora- (preocupada) - “Mas no meu tá no carro tá grande” Puccinelli – Se ela não colocar grande no carro dela, eu vou “girotear” a Marta. Servidora – O meu tá no carro com emblema grande! Puccinelli - Então fala pra ela que eu disse... “O do Giroto tem que ser daquele fechado no vidro traseiro do carro”. Não tem que dar mole pra vereador! Puccinelli - José Carlos Lopes Silva? Servidor - Edil e Giroto. Puccinelli - Nós vamos por pra votar pra Carla aqui, tá bom? Servidor - Tá bom. Puccinelli - Agora mudou, tá bom? Servidor - Tudo bem.
Crime eleitoral A prática comprovada pelo vídeo na reunião de Puccinelli com funcionários de alto escalão havia sido denunciada na Assembleia Legislativa pelo deputado Pedro Kemp (PT), e na Câmara de Vereadores de Campo Grande pelo vereador Athayde Nery (PPS). A própria Constituição Federal de 1988, em seu artigo 14, estabelece: “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: § 9º - Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta”. Em linguagem popular, no entanto, aquilo que a lei reza tem leitura mais simples – voto de cabresto. Segundo definição do Wikipédia, o voto de cabresto é “um sistema tradicional de controle de poder político através do abuso de autoridade, compra de votos ou utilização da máquina pública”.


Fonte: Midiamax
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